segunda-feira, 8 de abril de 2013

meu cu pra mim mesma, eu tenho que me ferrar mesmo

ontem passei o dia mais lindo de trabalho do mundo, com direito trabalho feito de fato, ajuda na cozinha e bolo e sexo com amorzinho e eu achava que ia estar tudo bem  o resto da vida.

hoje não fiz nada do que eu TINHA MESMO que fazer, não tenho dinheiro, não tenho nem cigarro. tenho só muito trabalho e nenhuma vontade. NENHUMA VONTADE.

só me dou conta quando já é tarde e eu não fiz nada, aí é a culpa do tamanho de um caminhão e o medo do prazo e a solidão e a pobreza que me fazem chorar e eu sei que o buraco é mais embaixo mas não me controlo.

eu não sei mesmo o que fazer da vida porque tudo de vez em quando me dá essa sensação de que pra fazer tudo o que eu tenho que fazer eu tenho que sumir comigo e viver no piloto automático e nunca relaxar e eu não consigo e eu só mato aula e não trabalho direito e fico parada pensando e nada acontece além da culpa gigante.

me odeio mesmo hoje.

sábado, 6 de abril de 2013

Post relâmpago

Algumas músicas te ajudam a argumentar a favor de que nada tem problema e que o mundo é lindo e qualquer preguiça será perdoada na fluidez das sensações.

http://grooveshark.com/s/D+a+Despues/4A3gSj?src=5

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ruivinho filhadaputa

Sempre que falei de sexo por escrito, numa conversa que não fosse com as amigas, foi com desconhecidos da internet. Com alguns desenvolvi paixonites e relações que se aprofundaram em mim, com outros era só o falar por falar mesmo. Mas sempre envolveu uma coisa explicita, do tipo "vou fazer isso e isso" e com respostas diagnosticando os níveis hormonais.

Mas indagorinha tive um vislumbre de tesão numa conversa que não tinha nada a ver com o assunto. Tirando sarro de fundamentalistas, falamos de maneiras cristãs de procriar, sobre tabelinha e papa e bolsonaro. A cada risada eu sentia uma pontinha de cosquinha no fio que eu sinto que tenho que puxa meu coração pra trás em movimento de torção ao mesmo tempo que me abre toda. Não sei dizer.

Gosto desse cara. Ele tem namorada, à distância (e, pelo que eu soube por cima, há anos). E é um dos melhores amigos de uma de minhas melhores amigas. Território proibido, portanto. No entanto, não consigo não corresponder com o melhor de mim cada vez que ele fala comigo, porque eu já gostava dele antes de saber que ele gostava de mim, e sabia que ele gostava de mim antes de saber que ele tinha uma namorada. Aí, quando eu mesma digo "tabelinha pode" na conversa debochada, sinto como se tivesse dizendo "eu transo e você também, que tal?".

"Gostar" não é o melhor verbo, mas não achei outro. Ele me interessa. E me diverte. E continua falando comigo mesmo quando eu disse que não queria nada com ele PORQUE ele tinha namorada. É um filhadaputinha disfarçado, provavelmente. Agora que me lembro, notadamente. Essa minha amiga me disse, quando eu falei dele, que recém agora ele parou de sacanear a namorada. Penso nisso e penso que a culpa não seria minha, afinal a namorada é dele. Mas morro de vergonha da amiga, então por hora isso está fora da discussão.

Mas né, conversa vai, conversa vem, a gente se fala umas quantas vezes por semana. E eu nunca posso convidar ele pruma ceva. Difícil a vida.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Testemunho

Comecei ontem a ler o livro da menina que escreve o blog Cem Homens em Um Ano. Junto com isso, estou terminando o prefácio de Amar, Verbo Intransitivo, do Mário, e peguei cozamigo A Casa dos Budas Ditosos do João Ubaldo. A pilha confessional e o tema "amor", com a polissemia necessária ao seu emprego, me fizeram ter impulsos levemente mais concretos do que eu quisesse escrever. Um conto, talvez... Algum episódio, meio ficção, meio biografia, os dois, e, portanto, nenhum plenamente... O Garcia Márques disse (eu li num dicionário dele editado por supermercado, então também não boto a mão no fogo pela referência) que o melhor jeito de contar uma história é dizer a verdade. Assim (!), juntar aspectos possíveis, verossímeis, ainda que não necessariamente reais, me pareceu um jeito possivelmente eficiente de contar uma verdade maior, à qual nem eu tenho completo acesso ainda, que reverbera em mim junto com as vozes que tentam formar linhas narrativas, ou pedaços delas, trechos de possíveis devaneios psicológicos, sensações que eu não sei se sei traduzir, mas às quais eu acho que as pessoas deveriam ser ao menos expostas...

Por hora, o que posso dizer é que sim, "amar" é intransitivo, na essência. Mas que a intransitividade não o impede de transitar-se à posição de quem objetifica, e, portanto, idealiza e, idealmente, interfere.

Perco o tesão de explicar no meio, portanto deixo assim. Os próximos textos podem vir a aplicar isto, se eu conseguir.


quarta-feira, 6 de março de 2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

The Romantic Self

Dia inteiro em casa, primeiro beck às 18:00, tendo acordado ao meio dia. As sensações se empilham de um jeito maluco, e eu, achando que estou consciente do mundo e das coisas acho também que estou consciente do fato de que a minha grande epifania é talvez uma consequência do fato de que o beck causa epifanias.

Mas o beck não causa epifanias, ele causa a sensação de epifania. Ou seja, o que eu descobri sobre o que eu ia escrever agora provavelmente não passe de uma reflexão mediana normal a respeito do mundo, mas para mim ela teve magnitude suficiente como para causar dor física, compreendam o que quiserem.

Enquanto releio os dois primeiros parágrafos o nosso querido preferido máster do mundo em termos de cama no momento diz oi, e faz uma piadinha interna linda sobre o fato de estarmos a dois bairros de distância, ele impossibilitado fisicamente de sair de casa e eu impossibilitada moralmente de ir até a casa dele porque simplesmente não dá (não suporto a irmã, falei), e o meu coração se enche de uma urgência física inexplicável de dar um beijo na tela, na direção da tela. É físico. É como se ele estivesse na minha frente.

Aí ele diz que quer dormir comigo, e eu choro. Ele diz com voz de doentinho, que fique claro. Eu choro de pena (de nós dois) e de saudade e claro que de culpa. E de muita vontade.

***

Tive uma conversa comigo mesma agora que não valeria a pena tentar descrever, embora talvez fosse elucidativo para mim. Eu culpo a presença da irmã dele. Mas poderia ser a mãe. Amigos? Tenho medo de que me julguem por estar iludindo ele. E também não tenho saco pros papos. E, importantíssimo, estou menstruada (além de tudo ele tem um sofá novo, não posso mesmo manchar, ainda mais que ele está lesionado demais para lavar a própria roupa, que dirá lençóis).

Mas só de pensar em deitar do lado dele me vem um nó delicioso na garganta, uma saudade pulsante, uma coisa visceralmente dolorosa que não passa nunca. Eu terminei com ele e nunca passou. Essa conexão continuou até o fim, o tempo todo. Será que em dois anos passa? Não pode ser amor com esse monte de porém que eu boto, isso seria ridículo. No entanto, não passa. Claro que nunca vai ser monogâmico, mas com os outros passa.

***

Tudo isso porque o meu pensamento inicial era o de que havia uma área da minha personalidade dedicada a ser romântica, no sentido literal mesmo, voltada para o romance amoroso. E que eu gosto de ser assim, de exercer isso. É gostoso.

Afinal, o que é o amor? E o que é o que a gente faz por amor? Eu teria que aguentar a ignorância e o machismo da família dele, e a falta de perspectiva do próprio, para poder dizer com propriedade que o amasse? Tenho que não poder dizer que amo ele só porque não quero, não me faz bem namorar com ele, casar com ele? Ao mesmo tempo, essa vontade de ficar perto que dá... Eu disse, porque achei pertinente. Sim, esse é o motivo. Porque ele tinha que saber que se não tivesse ninguém eu ia. E aí talvez ele estude e consiga um emprego decente e não fique numa ruim. Sei la se ele ta numa ruim, mas disse que tava. Enfim, foi um incentivo. Mas eu amo ele mesmo.

Internal cricket sounds

Mais uma vez nossa heroína encontra-se em um momento difícil da existência. Cá está ela, sentada com o computador no colo, passando mecanicamente a tela pelas piadas sem graça e notícias sem sentido, até que chega nas que já leu e reinicia a volta. Ao fim de cada ciclo, ou no meio, a todo momento, ela pensa em tomar banho para então ir à cidade e resolver assuntos burocráticos. A cada lembrança dessas ela para e escolhe um link, uma música, um vídeo, qualquer coisa que lhe renda mais cinco minutos de inércia.

Será que todo mundo é assim? Ela duvida: as pessoas vão às coisas, fazem o que tem que fazer, se formam. Ela consegue empregos com facilidade, mas procurar não aparenta estar na lista de prioridades, embora esteja. Vai perder o momento nas empresas, e vai ficar pobre. Fora os médicos que faz anos que não a veem, e que são realmente importantes. Vocês acham que ela foi atrás?

Com tudo o que deveria estar na sua cabeça neste início de ano nevoento, nossa heroína só consegue pensar com o afinco necessário em sexo. Ainda assim, nem quanto a isso se anima a agir, muito por medo do que as coisas podem se tornar. Ela sofre por não ter aquela conexão sensacional (de sensação, digo) com qualquer um, mas não procura o encontro mais promissor dos últimos tempos por puro medo de sentimentos (dos dela mesma, que não sejam compatíveis com os dele e ela tenha que se resignar; acaba por escolher a resignação prematura). Quem diria? Logo ela que se jogava de cabeça em tudo, com medo de um pirralhinho gostoso...

Verdade seja dita, ela não procura o encontro mais promissor porque a amiga ficou chateada. Porque a amiga não pega ninguém. Nossa heroína não julga o recalque da amiga, mas gostaria muito que a falta de feeling da amiga não a impedisse de fazer as coisas. A amiga odeia o cara porque ele não quis ficar com ela, e odeia nossa heroína por tabela, porque ela sim estava entre a lista de muitas em quem o cara deu em cima naquela noite. Nossa heroína sabe como essas coisas funcionam. A amiga não. Se a amiga ver que eles se adicionaram, vai ficar brabinha, e a nossa heroína não quer isso.

O momento é de congelamento na vida da nossa heroína.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

estrutura física ftw

artigo de opinião não é comigo. só gostei do arroubo da menina, porque ela acredita no que está comunicando artisticamente e ainda por cima bate na cara da sociedade (aqui também chamada reality show de talentos). e achei injusto eles não reforçarem o conteúdo da mensagem do poema, porque ME pareceu que ela teria gostado se aquilo fosse dito. talvez ela tivesse ok e eu aqui incomodando, né? enfim, ...

http://www.youtube.com/watch?v=e86hSRwkVoA

um dia consigo voltar a escrever claramente. reli os últimos, coisa mais trash.

é esse impulso de ser engraçadinha que me estica as referências prum terreno onde só eu rio. desculpa, mundo. to ciente, to tentando.

(nem sei se é só um problema de referência. acho que é além de tudo difícil de ler mesmo. será que maiúsculas ajudam? Será que maiúsculas bastam?)


enfim, ainda não vou fazer um balanço das últimas entradas ou do que aconteceu desde então porque tecnicamente ainda estou de férias. na verdade, "tecnicamente" não, porque tecnicamente eu estou desempregada. mas estou de buena, por hora. juro. :P

vou dormir. computador novo (FUCK YEAH), terei mais tempo para refletir decentemente de novo, e não só mais quando estou podre já.

tem que acreditar no objeto/conteúdo/objetivo(?) da sua arte. pensem nisso.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

arroubo típico.


Retiro espiritual do quase acaso

Day 3.

Não saberia por onde começar a cantar. Contar. Ato falho. Sempre quis cantar e nunca consegui fazer com as pessoas o que eu sinto cantando. Enfim. De qualquer forma, para expressar as minhas impressões acerca dessa história eu precisaria fazer tantas conexões que me perco até de pensar o que eu teria que fazer para explicar o porquê de tantas conexões. Haja pulso e cérebro que aguente. Erros de spelling em profusão, thank the gods for Word. The end. 

***

I have the attention span of a goldfish.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Apenas para registrar o momento


Estas se encaminham para serem as férias que eu acabo de enfiar no buraco simplesmente porque eu não consigo não ter um homem por perto, mesmo quando eu já to achando ele um porre que ele nem é pq a gente já tá a tempo demais juntos. Tem a parte do dinheiro (fui burra e fiz ele pagar todo o super sem querer porque me desesperei com o trabalho, e nem usei toda a comida), então tenho que segurar ele aqui pra pagar umas coisas, pra ser legal. De qualquer forma, a pior parte é essa conversa com chefe na segunda, que eu suspeito que vá incluir o último trabalho que eu fiz que nem a minha cara e a vadiagem habitual. Já estou pensando até em alternativas de emprego. Mas o que, meu deus? Que me pague decente e eu consiga estudar e não tenha ataques cardíacos ou de tédio. Tenho a impressão de que não é desta vez, mas haveria motivos suficientes. Não sei quanto tenho de crédito, mas acho que é muito pouco.

Rédea curta com o menino, e eu não queria. Mas não soube demonstrar outra coisa, porque eu sou uma maluca. MALUCA. Por isso que eu gosto do meu bonitinho bonitão, porque com ele da pra ser honesta. Porque com ele eu tenho certeza de que ele não vai levar pro pessoal nem esfregar na minha cara. Ai, tenho? Eu não tenho certeza nem do que eu faria...

(conste que este com o qual temporariamente divido o teto não cansa nunca, exceto quando dorme. Ter que ficar o tempo todo no ‘agora sim agora não’ é um saco. Eu sei que eu que sou a cadilandra aqui {preciso expurgar isso da cadilandra depois, lembrete on place}, e que isso normalmente seria uma qualidade, mas, não sei por que, não é. Será que to virando mullherzinha demais?)

Bom, bora fumar um que eu to quase de férias, tirando a reunião de segunda. E depois bora pro bar, ser cavalheira. E depois disso depois eu penso.

MIzão. Mas recebi, vou conseguir afogar, pelo menos.

P.S.: comunicação é uma coisa difícil de fazer, ainda mais chapada.
P.S.2: eu gosto dele, até. Preciso mencionar o calor nesta equação do demonho.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Pequenos episódios de insônia


Quando a cama adquire um formato que não é mais o do meu corpo, fumo a baga na mesa de cabeceira, e, quando sinto o conhecido baixar dos olhos, acendo um único cigarro. Às vezes dois. Nesse tempo, acho que penso em ti, mas penso em mim contigo. E desejo que esse tu não mude a cada noite, embora seja exatamente isso que eu busco. Sentir o teu cheiro no que ele tem de diferente de outros me enlouquece, e eu já não sei mais dizer o que eu prefiro. Loucura, companhia, conforto, liberdade, solidão. Todas as anteriores. A solidão é o alimento do gênio, alguém disse. A vida contigo me prende, mas há de fato quem (me) coma o que eu faço quando fico sozinha?

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Obrigada a todos os envolvidos


Batom, biquíni de bolinhas e um grampo de flor, colocado por mim, segurando o cabelo comprido só de um lado. Você agia como se estivesse finalmente livre e me libertava sem querer: para continuar perto, eu também precisava entrar na parte de mim mesma que eu nunca mostro.

E então, justo eu, que não me sentia capaz de comer ninguém, tive que me curvar e aceitar o desafio porque tudo era simplesmente irresistível e eu não ia te deixar esperando.

Aprendi a puxar, a morder, a lamber, a arranhar e a falar. Tudo doce, quente, escorregadio. E senti prazer em dar prazer simplesmente porque você confiava em mim o suficiente para querer aquilo, e quase morri de realização quando senti teu gozo escorrendo pelo meu corpo. Tudo doce, quente, escorregadio. 

E vi em ti o que eu instintivamente fazia com os outros, e me amei também, através de ti, do jeito mais bonito que já me aconteceu.

bearded pin-ups are fucking hot, my dear, dear friend!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Fluidez

Não é nos teus olhos que está tudo o que precisa ser dito, mas eles dizem que tudo o que está sendo dito pela voz e pelo corpo é sincero e relevante naquele exato momento.
Não é [só] do formato do teu corpo que eu tenho vontade, mas do cheiro das coisas, do jeito que ele se mexe e dos barulhos que ele faz quando nossas mãos dançam tango na mesa do bar.

A pedra lapidada com os dizeres “para sempre”, por mais que dure, imponente e estática, não vive tanto quanto aquela gotinha que sai da terra rio abaixo doída e vertiginosamente até o mar só pra voltar voando feliz da vida.


sábado, 29 de dezembro de 2012

urge ter uma memória melhor

decidir é fácil. executar também.
não mudar de ideia é que é o tchan da felicidade.

se as situações tivessem se mantido nas duas vezes eu estaria aqui nervosa por estar com alguém com todas as incompatibilidades que eu sabia que eram impossíveis de ultrapassar, no caso de ambos.

decidi não enrolar mais e cá estou, triste triste triste me sentindo sozinha e me corroendo de saudade por dentro, de ambos. e questionando cada centímetro de escolhas que até dias atrás pareciam a linha reta de um raciocínio perfeito (e olhando preços de passagens para surpreender o cara que eu mandei embora na cidade em que ele está -- espero não conseguir, mas preciso de ajuda para passar o tempo sem esse nó da porra puxando meu coração pra garganta).

a época do ano não ajuda, mas nenhuma época ajudaria... quando muito, é vital lembrar que a família e os amigos (todos viajando) amam você, por mais que o amor que parece te completar seja outro que aparentemente não existe.

sei lá. queria conseguir lembrar melhor da parte ruim pra essa falta do que fazer ficar mais parecida com a liberdade que eu queria.

sábado, 15 de dezembro de 2012

carta a um ex

Antes de mais nada, peço desculpas por esta carta e por tudo que eu me acho no direito de te dizer. Por tudo o que eu te fiz passar e todas as coisas mal explicadas. Peço desculpas pelas explosões, e pelos carinhos mais ávidos que as seguiam. Peço desculpas pela culpa que eu sinto de não ter podido ser a pessoa que eu sei que você merece.

Mas, como a gente sabe, eu nem sei. Eu nem sei direito o que eu te fiz passar, porque a gente não se viu mais. Eu deduzo, mas eu não sei. E eu queria saber. Eu queria saber não só porque eu queria tirar essa culpa horrorosa, mas porque eu queria mesmo, genuinamente, do fundo do meu coração saber como você está, e te ajudar se você precisasse, com o que fosse.

Eu queria te dizer o quanto você fica bem de azul, e o quanto eu amo quando você canta e olha para as pessoas e fica envergonhado. Eu queria te dizer que eu sinto falta de conversar contigo, sobre coisas nossas ou sobre as coisas do mundo, que também são nossas e que na maioria das vezes a gente finge que não. Eu queria poder te ligar agora, agora, e tomar uma cerveja contigo e te dizer todas essas coisas e mais umas tantas.

É muito triste amar alguém e não amar o suficiente. O amor que sobra quando a gente precisa se separar de alguém por conta de uma coisa alheia a eles tem que ir pra algum lugar, mas o meu continuou aqui. Eu não quero que tu queiras que eu te ame daquele jeito que eu não consigo, mas eu queria poder te amar desse jeito aqui, porque não fazer isso me pesa, me dói, me arranca de mim e me faz querer ficar sozinha te escrevendo coisas que eu nunca vou entregar, sobre tudo que eu talvez nunca consiga te dizer.

Eu sonho com coisas que são horríveis até pra mim, e também por isso eu te peço desculpas. Eu sonho em poder te beijar quando eu sinto tudo isso, mas sem fazer um estrago em nenhum de nós. Eu sonho em te ver beijando alguém e não sentir meu coração rasgando no meio por baixo do peito que encolhe e não solta e me congela. Eu sonho em achar isso bonito, em te saber meu como quem sabe seu um amigo aquem a presença de outro amigo não ameaça, e em saber que os dois sentimos assim. Eu sonho com tudo isso para enfim poder fazer eu mesma, em vez de morrer por dentro por não fazer o que me é natural.

Eu sonho contigo, comigo, e com tudo o que parece impossível. Sei que tenho que me resignar.

Te amo, ainda, para sempre.