quinta-feira, 26 de setembro de 2013

realismo epifânico

tenho a necessidade doente de descrever cada epifania.
ontem percebi o quanto de fato exploro as pessoas à minha volta. financeira e emocionalmente. nunca estou plenamente disponível. não tenho noção real de tempo, menos ainda de finanças.

começo a questionar meu autoconhecimento como um todo. sempre me achei injustiçada porque minha mãe era maluca, mas não terei mais esse direito se acabar como ela. sempre achei que o mundo não me entendia, mas hoje sei que realmente quem não vinha entendendo o mundo e as pessoas era eu. minha falta de ambição prejudica as pessoas que me amam. eu não posso ignorar esse amor porque se há algo que existe no mundo é isso. o resto sim é poeira cósmica.

tenho a necessidade doente de fazer planos que não vou cumprir.
como em outras vezes em que me culpei pela desgraça da minha própria vida, meu impulso é narrar todas as coisas que eu deveria ou pretenderia fazer a partir de agora. só de pensar em fazer isso de novo já parece que não vai acontecer.

mas dessa vez o problema é com os outros. com o apoio que eu não dou aos outros porque só vejo os meus problemas. por exemplo, tive a cara de pau de falar pra minha tia que ia precisar de um sutiã novo pro casamento dela. quando ela me falou que não ia poder porque era caro foi que me toquei do quanto ninguém é rico mesmo e eu preciso conseguir coisas por mim mesma, mais do que eu consigo. para poder, pelo menos, comparecer dignamente, ainda que não consiga ajudar ninguém diretamente. poupar preocupações aos que me amam, e não estar fingindo.

e tenho que atentar mais especificamente pra a minha irmã, que não pediu pra nascer e buscou abrigo na casa que talvez tivesse sido só minha se ela não quisesse vir junto quando eu saí da casa da minha mãe. é como se eu tivesse mesmo ganhado uma filha grande, que depende emocional e financeiramente da minha sanidade mental e gentileza. eu sempre odiei isso. mas só hoje me dei conta que odiar isso é ser igual à insensível egoísta loca da minha mãe. é injusto não apoiar de coração a minha irmã porque foi exatamente o que a mãe fez. e a minha irmã só é assim maluca e dependente e surtadinha porque a mãe não soube se resignar a criar aquele nenê com amor e despejou desprezo na cabeça dela desde sempre. eu tenho que conseguir me resignar se isso é o que diminui o sofrimento alheio.

não adianta eu condenar os grandes empresários que são exploradores e visam o lucro e desviam pra facilitar a vida às custas do dinheiro dos outros e da qualidade de vida da população a longo prazo se eu não consigo fazer na minha vida nenhum sacrificio pra que as pessoas à minha volta vivam um tiquinho melhor. começo a achar que se eu tivesse uma mamata dessas talvez eu pegasse porque me falta empatia em um nível doente.

só não me mato porque aí sim seria o cume do egoísmo. menos mal que a minha vontade de não ser mais egoísta ainda é maior do que a minha vontade de morrer.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

dor

A dor já não é dor porque dor dói em algum lugar. Quando a dor para de doer e só existe como presença, eu desaprendo o nome e não consigo mais escrever sobre ela. O amor ainda existe, mas a fé na vida a dois morreu mais ou menos nesta época ano passado.

Leio as coisas que os outros escrevem e as dicas de como escrever e me dói. O bukovsky disse que não vale a pena escrever se não doer como cagar um cagalhão gigante enquanto você escreve. Eu não gosto do que ele escreve, na maioria das vezes. Mas ele conseguiu, e as pessoas gostam. Morreu pobre e bêbado. Eu não consigo querer isso.

Outras mulheres menos envergonhadas escrevem coisas parecidas com as minhas, e mostrando a cara. Talvez mais explicitas, até. Fico feliz por não estar sozinha, mas aí sinto também o tamanho do abismo que há entre o que eu consigo fazer e algo com talento verdadeiro quando me vejo nelas e naquela falta de talento gritante, frustrante. O texto livre e sexual é, para mim, forçado de ler. Acho bom enquanto sensação. Me identifico. Mas acho ruim de ler.

Preciso de uma história que ilustre tudo isso. Preciso expurgar a falta de fé. Cada pessoa nova reacende o torpor, mas a chama queima cada vez mais rápido. As drogas deixaram de ter graça há muito tempo. O trabalho me impede de ser criativa. A academia me exige mais ações burocráticas do que pensamento. Os preços sobem vertiginosamente e as crianças aprendem cada vez mais cedo a cuidar apenas de si e a não dar bola para suas mães loucas. Eu aprendi tarde. Não sei o que recomendaria...

Queria dar conselhos. Achava que um dia ia escrever algo que ia influenciar as pessoas a prestarem mais atenção nas emoções umas das outras, e a darem mais bola para suas próprias dúvidas sem sentirem vergonha. Perdi toda a vergonha, mas também perdi a capacidade de dar conselhos. Não sei o que nos salvaria e não quero ser responsável por más escolhas. Apenas não ser violenta me parece a melhor saída, mas em um sistema desses, em que "não é sim e sim e anal", a vontade de dar um tiro na testa de alguém parece perigosamente legítima.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

coceira

computador bichado.

alem disso, aquela consciencia de finitude que toma conta de tudo.
medo das pessoas.
medo de mim, do que vao pensar do que me é natural.

organizar meus dias e meus pensamentos é sempre um martírio porque eu gosto demais da sensaçao de estar conquistando algo, de gastar tempo da existencia com isso. mas aí os amigos começam a querer fazer double dating e eu começo a me perguntar se quero de verdade ou se era uma coisa passageira.

o que nao é passageiro?

porque a opiniao das pessoas importa tanto?

porque algumas coisas nao passam?

vao dizer puta vagabunda sacana fogo no rabo vadia desequilibrada.

só a parte do sacana é mentira.

sábado, 31 de agosto de 2013

projeto sonho lúcido #1

estamos no apartamento da maga. a luz é excessivamente amarela, como se tivesse muito sol, que na vida real não bate lá assim. estamos eu, a maga, o ruivo e o professor. não lembro da conversa.

fomos dormir, eu e o ruivo, em um colhão no chão da sala. não dormimos. gozei duas vezes, reflexo de realidade. o ruivo levanta e não aparece mais.

no lugar dele aparece o professor, e deita de conchinha atras de mim.

"toda gostosinha" apalpando minha cintura.

penso "quê?"

"já gozou muito hoje, né?"

e enfia o pau duro em mim.

me diz mais adiante que não está mais casado. eu me importo de aparecer com ele na frente da maga, mas ele não parece se importar. penso no ruivo, mas ele sumiu. lá pelas tantas o professor pega minha mão e me pede desculpas sem sotaque por ter sido rude. eu rio, era exatamente o que eu queria, só estava surpresa.

saímos todos. encontramos outro aluno dele, sem especificações. decidimos ir para minha casa tomar café.

passamos reto pelo prédio de porta de metal com vidro canelado. na hora de voltar, são vários e eu não consigo encontrar o meu. escolho pela lógica o primeiro, sem certeza. os corredores tem um pé direito muito baixo e azulejos verde-água.
cruzamos com uma velhinha com dois cachorros enormes mais velhinhos que ela que nos trancam a passagem no corredor por alguns segundos.

no apartamento, eles me contam que dez anos antes alguém fazia cosplay de um personagem que eu não consigo mais saber se era o heathcliff ou o dorian gray e ia pro parque da cidade cantar as mocinhas.

estou no parque, 10 anos antes. as roupas das pessoas parecem de 30 anos antes. vejo uma fonte quadrada meio de vidro, bem brilhante, que nunca existiu. tinha uma placa com algo escrito na frente, uma palavra só.
passo por três meninas de seus talvez nove anos. estão fantasiadas de fadas ou bailarinas e riem muito.

estou com elas em um apartamento de paredes brancas com estantes de metal cinza abarrotadas de brinquedos quebrados. as meninas riem muito conversando entre si sobre como nunca nenhuma delas tinha conseguido cuidar bem de seus brinquedos.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

crise managment

forcei a barra, porque não conseguiria fazer outra coisa. decidi que ia ceder, que a culpa era toda dele e que eu não ia mais me segurar e que ele que se virasse pra conviver comigo e com ela ao mesmo tempo porque eu ia aceitar todos os convites dele pelo tempo que ele aguentasse. e que se fodesse.

dois dias depois acontece o que ninguém previa: há mais um solteiro na cidade. ele teve estômago e coração de fazer o mais certo, apesar do medo. gamei mais.

acabou me dizendo que foi por minha causa. tenho um pouco de medo porque meu discurso sempre foi o de que ele tinha que fazer isso por si mesmo e não por mim, porque todos sabemos que eu não sou "confiável", que eu mudo de ideia, que eu não vou monogamear nunca mais e etc.. além de que ele não sabe que eu sei que ele já corneava ela antes (não conto que a amiga contou pq tenho bom senso), então eu sei e ele também que isso era mesmo a melhor coisa a fazer por ela. escrevo justamente para conseguir me organizar, senão fico ficando com pena dele, e não dela e nem de mim, que somos as que mereceríamos. ele ainda está falando com ela, e eu encorajo. meu problema não é mais gente, é mais mentira.

de qualquer forma, reina a calmaria, como fazia semanas que não.

minha insensibilidade aparente é sensibilidade em demasia, no fundo. é importante que isso fique claro, até pra mim.

ele é todo laranja, com pele de ruivo de cetim. por hora é só isso que eu sei.

domingo, 21 de julho de 2013

descontrole emocional

tá, e aí?
não vai falar comigo?
acho que é muito fácil ficar plantando coisas nas pessoas até que elas ficam furiosas o suficiente para serem estúpidas contigo e depois ficar na sua por uma hora sem nem se pronunciar.
eu sei que eu talvez tenha passado a linha, mas foi só porque tu me mandou aquela mensagem liberando ligações de tarde. como assim, sabe? complô não.
eu to sofrendo.
cada minuto a mais naquela contagem que eu deixo aberta de masoquista me mata um pouco mais.
aí tu fica off de novo, e de novo, e eu morro mais toda vez.
aí eu fico vendo tuas coisas na internet por inercia e não tem nada novo e eu sou obrigada a ver as coisas que a excelentíssima comentou meses antes.
mas ainda é melhor que ver elas surgindo na timeline simultanemente ao crescimento da paixão que nem na semana passada.
tu queria o que também? minha paciência de jovem tem limites.

veio. here we go again.

coração batendo nos tímpanos

terrorismo do amor. mais terrorismo que amor, na prática. mas muito amor por trás do terror.

lancei uma trégua depois de um xingamento que estou exitando descrever como "primeiro", mas que pode-se dizer que foi. 18 minutos, ele entrou a uns 12 e nem visualizou.

sou toda arrepios e suspiros. queria que isso sumisse.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

missão

mais amor. é só o que se escuta nessa cidade. mais amor e mais liberdade. e mais transparência. e mais responsabilidade e justiça. e mais curtição. e mais comidas naturais e mais horas vagas.

mais amor é a minha missão. minha militância. mais amor de todos os tipos, inclusive amor próprio. amor aos próximos e aos deles, que também são seus e de deus, e amor a deus, que é o universo e cada um de nós, que é estar vivo etc.

essa coisa de inspiração de sensações e coisas bonitas ou pelo menos construtivamente chocantes, honestidade real sobre a falta de motivação decorrente do desejo de ser amado e de viver pra sempre e de estar de barriga cheia de bacon.

mais cara de pau. mais cara a tapa. mais mordidas, com mais gana. mais apertões, mais vontade. de todos os lados, de todo mundo.

mais honestidade e expectativas realistas. fé nas pessoas, acima de tudo, até do realismo. fé em todas juntas, porque feitas da mesma coisa. inevitavelmente juntas, conectadas, partes indissociáveis de um todo vertiginosamente maior. fé em estar aqui e agora, que é só o que nos resta.

estar importunando esse cara não deixa de ser good karma. que doa depois, talvez assim eu consiga escrever pra aliviar a dor e espalhar a semvergonhice bem intencionada por aí, se não conseguir espalhar até ele.

ruivinho filhadaputa (2)

estou aqui já quase não bêbada às 4:30... mais vinho.

perfeito pavor de voltar a um estado de consciência que seja um pouco mais nítido do que o que está acontecendo agora. mais vinho.

bukowsky na veia. inclusive na constatação da podridão e da mediocridade e na consequente vontade de cagar a pau um ruivo específico. mais um título pro meu currículo: amante de um (quase) quarentão ruivo. mais vinho.

ele plantou isso em mim. não tem outro jeito de definir. depois de ter se declarado pra mim e ter sido rejeitado por ter namorada, ele entabulou conversas pela porra do chat por meses a fio mesmo assim, sendo cada vez mais awesome (ver aqui). então um dia ele me convidou para tomar uma cerveja e pagou toda a conta enorme enquanto eu estava no banheiro, e me fez querer pagar outra pra ele. mesmo porque a conversa tava simplesmente genial. mais vinho.

teve aquela noite de segunda. eu tinha prova no outro dia. depois de tentar convencer indiretamente a tomar uma cerveja e fracassar, me resignei a estudar enquanto conversávamos. minha vez de me declarar, declarando o suor das mãos. infarto iminente, aparentemente mútuo. digo, declaradamente mútuo, porque o que te declaram já vem com uma aparência que a pessoa que declara quer produzir, e eu já não sei mais se confio no que ele me disse. mais vinho.

na terça saí com as amigas. tínhamos combinado de nos ver na quarta. bebi com as amigas cidade afora até acabar em um beco sem entrada, totalmente lotado. desistimos de entrar na festa e rumamos pro boteco chinelo-caro da esquina de casa. chegando na esquina vejo o próprio ruivo, sem encontro combinado, materializado chegando pelo outro lado da calçada. sorrisos nervosamente incessantes. minha amiga sugeriu que fossemos todos pra minha casa. nessa noite dormi com ele pela primeira vez. o cheiro dele era azedo, e a pele era de cetim. mais vinho.

no dia seguinte fui até a casa dele. estranho no início, muito lixo, cheiros suspeitos. quando finalmente deitamos foi mágico, mesmo com os cheiros estranhos. a maleabilidade dele na cama era ainda muito mais do que eu esperava. mais vinho.

só nos vimos na segunda seguinte. no meio tempo decidi confessar minha agonia. ele já sabia. "tu me odeia, né?". "sim". aí deslanchou. mas depois deslanchou mais cumplicidade. pelo menos parecia. de novo na cama dele, agora limpa, ele disse que ia "resolver a vida", mas não disse quando... mais vinho.

desisti de ver por um tempo, pelo menos por hoje. não aguento estar fazendo isso. também não aguento não fazer. dor nas tripas. pelo amor de deus mais vinho. muito mais vinho.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

amor à vida

vão tudo se fuderem, na boa. gente procurando mãe e pai biológico por aí... é muita romantização da coisa, aí sim, de um jeito nocivo à auto-estima, com hífen, da pessoa. olha em volta, olha esse mundo. quem já viu bebê perdido? e quem já viu bebe achado por aí e pegou pra criar? e os que nem tinham mãe, os que mesmo tendo não tinham, em quantos graus... se eu descobrisse hoje que sou adotada, não ia querer saber. não por mal, mas é que eu realmente acho que não é só sangue que faz isso com as pessoas, de elas se abraçarem e se amarem e se darem comida. se tivessem duas pessoas no mundo e elas não fossem parentes elas iam acabar se ajudando e se curtindo igual porque esse é o impulso que deveria existir, e que é sim mais fácil em grupos pequenos, taí a notícia da tendência do mini-wedding no yahoo pra não me deixar mentir. enfim.
tem a alusão não explícita ao aborto nesse título, na verdade anti-aborto, né, que se eu fosse um pouquinho mais nerd poderia lincar com umas teorias de discurso aí e fazer eles mudarem a porra da entrada da novela. acionava as feministas e denunciava que o corpo é de cada uma e calem a boca e parem de nos fazer parir quando a gente não quer pra depois demonizar a adoção, fazendo novela sobre as pessoas indo procurar mãe biológica... mesma coisa do pai biológico estuprador daquela lei estúpida desses religiosos filhos de chocadeira elétrica querem passar, estão passando, já devem ter passado e eu aqui...
aí a entrada ainda faz o pior uso imaginável de uma animação simplesmente sublime, transformando em meleca sentimental uma coisa que é bonita e legal e profunda. eles editaram, cortaram pedaços, mudaram o som e ficou uma bosta que eu não vou nem ir atrás pra ver de novo que dá náusea.
aí pensa que a bebê perdida no início é rica, filha da mina rica. é achada por uma família pobre, mas que se vira. tudo na mesma casa, se ajudando, que bonito. bonito mesmo, a ironia é nas outras partes. essa mina rica-mãe, por sua vez, aparentemente é adotada. e está procurando sua mãe. aguarde próximos capítulos. ou não. eu não, na real. mas eu sei de tudo isso porque a minha vó e o yahoo me contam. e eu espio se tiver passando. por isso que eu não tenho TV, ia viver deprimida constantemente com a minha feiura, além da burrice daquelas pessoas bonitas. e olha que eu nem sou tão esperta nem tão feia. eles é que exageram nas expectativas. e vai ter azar específico assim, parece novela mexicana, apelaçaum.
e ainda cortam e editam tudo o que passa na mão deles. e ainda fazem isso pra piorar as coisas, a exemplo da abertura. nem pecado isso não é, que pecado tem perdão (pra mim, né, o meu deus é amor). aquilo ali é pior, é inafiançável, é malvado mesmo. as pessoas tem mesmo que ir na tevê lá, porque a tevê materializa hoje a voz de tudo o que te dizem que tu tem que querer, desde dinheiro a tamanho de peito cor de pele carro viagens gianechini a bunda da sabrina sato etc. tevê não, míííídia.
o problema é o alcance e o discurso, só. de resto, eles são livres. mas usar esse discurso com esse alcance deles é maldade com o cidadão de bem. "eu espero ele em casa", diz a fátima bernardes sobre sua união duradoura. nenhum problema especificamente com esperar a pessoa em casa, é só o jeito, podiam ter dito "a gente espera o outro em casa". são dois jornalistas com horários diferentes, certo que os dois se esperam. mas eles posam de família comum e pregam que ela espera. e isso está nas entrelinhas ou eu to vendo coisas? com aqueles terninhos e cabelos bem penteados... minha vaidade anda num momento bizarro esses tempos em grande parte porque esses cabelos bem penteados e maquiagem e tudo muito no lugarzinho me dá nos nervos. é muito artificial, ao vivo ninguem fica assim o tempo todo. mas a expectativa sempre volta pro "melhor" que tu já viu. aí já viu, desilusão eterna. é isso que eles fazem com as pessoas, fazendo elas acharem que não se bastam, e por isso que não se mandam. satan's little helpers hehe.

terça-feira, 2 de julho de 2013

cambia (casi) todo cambia

o encanto que as pessoas exercem entre si é uma coisa sensível. o cheiro das pessoas muda com o tempo, acho que a química pessoal interfere na nossa percepção química dos outros. não tenho mais tesão pelas pessoas que eu tinha, elas estão velhas e burras, mais que eu. talvez por isso os novinhos sejam tão atraentes, tem uma coisa limpa e cheia de energia e inocente neles que não morreu ainda. tem uns que parece que dá pra assistir morrendo, o que é mais triste ainda porque se vêem os relampejos do passado brilhando nos olhinhos ainda de vez em quando, junto com os prenúncios de um futuro triste e sem graça e pessimista e o caralho.

ver os meninos os três hoje no sol e não querer nenhum e ver que os outros que não me conheciam ficaram achando bom quando eu cantei foi bom pro ego, mas pareceu também vazio. tenho saudades de ter conversas de verdade com as pessoas. acho que vou conseguir uma dessas hoje. vou fumar ainda mais tb. melhor fazer café.

meu coração tinha que estar só um pouquinho mais no dinheiro do que na agradável contemplação do sol e fazeção de comida e tocação de peles do dia-a-dia dos vândalos vagabundos que não querem passar a vida inteira numa caixa. nem minha casa eu aguento mais. depois passa e eu volto a gostar, mas se não fosse inverno eu ia gastar bem mais tempo na rua e ia achar bem bom.

as frases que eu poderia estar escrevendo dançam na minha cabeça e não chegam nos dedos nunca. barulho de helicópteros. horário. temas de crianças, das que eu gosto hoje, que não vou entregar porque estou aqui reclamando da vida, de novo e de novo. helicópteros de merda. caixas de merda. cabeça de merda.

só não muda a minha sensação de que eu, individual e pessoalmente, não estou contribuindo em porra nenhuma pra melhorar a merda toda. eu tinha que ter um helicóptero. ou ser presidente. eu ia morrer assassinada nos dois casos.

sábado, 18 de maio de 2013

interrupção

é ilegal deixar de ter um filho que você não pode ter.
a gente ainda faz, mas daquele jeito ou superfaturado ou precaríssimo.

hoje é sábado. na quinta fez uma semana que eu estava atrasada. segunda vou fazer os exames.

queria parar de pensar nisso ao mesmo tempo em que queria conseguir pensar nisso direito.

a decisão tem que ser só minha. mas eu não queria, queria muito ter um companheiro que tivesse uma opinião que eu achasse válida discutir (o pai da possível bola de sangue chamou de "vida", mas disse que "aceita" o que eu quiser). e que conseguisse falar comigo de maneira que eu sentisse que estou falando com a pessoa que participou do processo junto comigo, e não com alguém que deixou cair isso em mim sem nem pensar no que estava fazendo pra eu ter que decidir o que fazer. tipo, teu material genético está alojado em mim, eu não coloquei ele aqui sozinha...

eu sei que o corpo é meu e que a decisão final é minha. mas a responsabilidade não é só minha, e o bullying que eu vou sofrer vai ser só meu. ninguem vai dizer "bah, aquele casal rateou", é sempre "mas ela não tava tomando nada?".

dificil pensar em todos os aspectos em que eu me sinto desconfortável por causa disso. meu corpo tem vontade própria, faz o que quer e dependendo do dia até me controla, e eu vou ter que contar isso pro meu pai, que jura que acidentes são fabricados, não só pra dar a informação, mas pra pedir ajuda. vou ter que dizer que fui burra o suficiente para deixar com que meus hormônios me enganassem e que agora preciso de uma pequena fortuninha para resolver isso, sob pena de ter um remelentinho bizarro aqui na próxima visita deles e para sempre.

pro pai disso não tenho como pedir, ele não tem como ajudar. nem sei se ajudaria. vou sim falar no assunto, vai que da uma luz e ele resolve querer diminuir a minha carga, não to rica o suficiente pra ser orgulhosa, ainda mais com isso, que nem é só culpa minha...

aí eu tenho que dar uns milzão pra fazer isso direito. trezentinho pra fazer em casa, com risco de ruptura e tudo.

e a vergonha.

e o nenê, claro. é muito muito triste pensar que podia virar um nenê se eu deixasse. o que me segura é justamente pensar num nenê que eu mesma ia patear tanto, e que ia ser um fudido, pq eu sou uma fudida e o pai dele é pior ainda. tem gente que não precisava nascer só pra sofrer. tem eu também, esse nenê imaginario me roubaria pra ele, eu não quero ser de ninguem assim... e ter que estar ligada ao pai dele pra sempre do sempre não sei se eu quero. "não sei se eu quero" me da até vergonha. mas é. ele é o máximo, mas eu queria conversar sem escolher tanto as palavras.

enfim, se fosse outro cara talvez eu pensasse. só não quero um filho dele. sei la.

sábado, 20 de abril de 2013

sobre como só me dá vontade de escrever quando está acontecendo alguma coisa na minha vida

só que daí eu tenho que ir la fazer a coisa acontecer, e quando foi eu já não lembro mais o que eu tinha pensado. quão idiota é isso?

escrever por quê? pra quem? o quê?

parece idiota, mas ter essa urgência me dói fisicamente às vezes, eu sinto e não consigo fazer.

já começou a não fazer sentido.

ou eu que não estou entendendo nada.

porra, eu tava com pressa.

queria e não queria ir. a última vez que eu fui foi no dia dos namorados e foi um desastre. por um momento eu achei que ia ser bom e foi patético e vergonhoso. no entanto eu queria ir, me desafiar, ser uma pessoa que se diverte numa festa, tenho medo das pessoas, elas não te olham às vezes.

eu não sei se eu faço esse movimento de olhar os outros que estão sozinhos também. nunca me vi fazendo. mas do lado de cá parece estranho ninguém fazer. cês não têm pena? deviam ter?

ta, óbvio que não. vou me vestir.

beijo.

P.S.: pula uma janela de bate papo, passa um mendigo berrando, penso na minha roupa e me dá medo e frio. meia de lã, sua linda.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

meu cu pra mim mesma, eu tenho que me ferrar mesmo

ontem passei o dia mais lindo de trabalho do mundo, com direito trabalho feito de fato, ajuda na cozinha e bolo e sexo com amorzinho e eu achava que ia estar tudo bem  o resto da vida.

hoje não fiz nada do que eu TINHA MESMO que fazer, não tenho dinheiro, não tenho nem cigarro. tenho só muito trabalho e nenhuma vontade. NENHUMA VONTADE.

só me dou conta quando já é tarde e eu não fiz nada, aí é a culpa do tamanho de um caminhão e o medo do prazo e a solidão e a pobreza que me fazem chorar e eu sei que o buraco é mais embaixo mas não me controlo.

eu não sei mesmo o que fazer da vida porque tudo de vez em quando me dá essa sensação de que pra fazer tudo o que eu tenho que fazer eu tenho que sumir comigo e viver no piloto automático e nunca relaxar e eu não consigo e eu só mato aula e não trabalho direito e fico parada pensando e nada acontece além da culpa gigante.

me odeio mesmo hoje.

sábado, 6 de abril de 2013

Post relâmpago

Algumas músicas te ajudam a argumentar a favor de que nada tem problema e que o mundo é lindo e qualquer preguiça será perdoada na fluidez das sensações.

http://grooveshark.com/s/D+a+Despues/4A3gSj?src=5