olha pra frente. olha onde pisa. não vai cair. firma bem o pé no chão, empilha as vértebras em cima da bacia e a cabeça em cima das vértebras. se precisar, usa os dedos do pé, te agarra no chão como o macaco primordial dentro de ti faria. eu descobri que usar os dedinhos do pé ajuda a manter o equilíbrio.
não grita com os amigos. por nada. se der, não grita com ninguém.
eu sei que existir sóbrio é uma merda. eu mesma to tomando remédio, sabia? porque alguma coisa tem que ajudar. qualquer coisa tem que ajudar. o que eu não quero e não consigo é deixar a minha insatisfação com a existência vazar pra quem não tem a ver.
não que não dê pra se expressar. eu sempre sou a favor das conversas mais profundas. chego a ser chata. mas é que as pessoas são tão sensíveis. tem que ter cuidado com como a gente fala da merda toda. eu sei que eu também sou sensível e que tem gente que não tá nem aí pra mim. mas eu prefiro saber que eu fiz o melhor que eu pude do que não ter certeza se a escrota da história fui eu.
eu entendi errado quando ouvi que tu te cortou. achei que era algo pior. as pessoas tem me assustado com esse assunto ultimamente. ta todo mundo muito deprimido. passei uma manhã inteira com um nó indizível na garganta. não faz isso comigo.
te coordena, ninguém vai acreditar em ti falando de amor e sendo violento ao mesmo tempo.
terça-feira, 19 de agosto de 2014
quinta-feira, 31 de julho de 2014
amor novo, amor velho, amor de merda
dá um frio na barriga muito especial falar de amor. provavelmente porque a gente nem sabe do que tá falando. parece que é amor quando a gente gosta da companhia da pessoa, quando o sexo é bom, quando as conversas fazem sentido e te apresentam coisas novas ou novos jeitos de ver coisas que tu achava que já conhecia, ou, melhor ainda, quando uma coisa que tu concorda muito ganha um formato novo através de um ponto de vista muito parecido com o teu, mas vindo de outra pessoa. é a velha coisa de achar que compartilha uma perspectiva. os aspectos em comum passam a te fazer se identificar com aquela pessoa, e quando tu admira ela tu fica meio que se achando mesmo, tipo "nossa essa pessoa tão fantástica no fundo é meio parecida comigo, ou tem o que quer que seja em comum comigo, eu devo ter algo de bom também, será?". e esse se identificar te faz se importar com ela, amar o próximo como a si mesmo, não querer que o ser amado sofra na mesma medida em que tu não quer sofrer.
eu costumo medir amor por sofrimento, sim. muitas vezes eu dou uma sofridinha pra evitar que o ser amado sofra. se eu não faço isso é sintoma de que nem amo mesmo. o problema é que quem sofre quer conforto, e às vezes o ser amado não sabe que eu to sofrendo porque se eu contar meio que arruína toda a coisa, daí eu começo a ficar um pouco malvadinha porque acho que mereço um meio de soltar os cachorros e aí a falta de comunicação vai começando a minar o bagulho.
eu disse que amava um amor velho, depois de muitos anos, só pra reiterar. deu nervoso igual, mesmo sabendo que ele sabe.
falar de amor dá nervoso porque quando a gente diz que ama no fundo a gente tá meio que se colocando à disposição, e às vezes as pessoas não querem ter alguém à disposição porque elas pressupõem intuitivamente que essas coisas exigem algum nível de reciprocidade e elas não querem se comprometer e depois ter que fazer a mão de mudar de ideia. daí a gente pensa em falar de amor e muitas vezes não fala pra não meter pressão no ser amado, porque a gente sabe intuitivamente que pessoas que se sentem pressionadas a retribuir coisas tendem a fugir da raia. o que a gente esquece é que esse se botar à disposição não é eterno, nem constante. aliás, geralmente a gente (eu) diz que ama em momentos de êxtase (às vezes que alguém diga que te ama é mesmo extasiante), em momentos que a gente sente que a interação com aquela pessoa nos dá uma energia nunca antes sentida e a gente sente a necessidade física de declarar que aquela energia toda veio dali, e portanto merece voltar pra ali.
o que eu tenho querido é um tipo de amor que não me faça querer bis tanto assim, que não apenas se retroalimente mas que se espalhe. eu queria um amor que confortasse, sem prender. porque eu mesma queria conseguir isso, confortar sem prender, manter a coisa acontecendo esporadicamente sem meter pressão, e não me sentir pressionada a estar constantemente buscando o estado de espírito ideal que faça com que se aproxime porque nem sempre funciona. verdade seja dita, sempre só acontece quando eu não to mais esperando e eu sempre sou pega de surpresa, juro. queria não ficar esperando o bis toda vez porque nem toda vez tem. queria ter um consolo decente pra viver feliz ainda que não intensamente. até porque, a intensidade de certas interações fazem a gente escrever esses nacos loucos sem sentido em vez de se jogar nas oito horas de trabalho o quanto antes pra se livrar. vou até a madrugada hoje, culpa dessa merda chamada amor que não para de zunir na minha cabeça.
terça-feira, 29 de julho de 2014
raivinhas
"I'd rather be a bitch than be an ordinary broken heart"
http://grooveshark.com/s/Good+Day/k8H0u?src=5
consolar demais dá repé.
***
cá estou eu enrolando trabalho once again. oi mundo!
menos drogas, mais uma tentativa de parar de fumar, coisas rolando... quando parece que vai ficar meio bom as vidas dos amigos próximos desmoronam na tua cabeça e tu tenta ser gentil simplesmente por incapacidade de ser o analista de bagé que as pessoas precisam e acaba absorvendo merda atrás de merda e depois se sentindo irritada.
e as pessoas não melhoram. acho que vou ter que começar a dar umas no meio daqui a pouco.
http://grooveshark.com/s/Good+Day/k8H0u?src=5
consolar demais dá repé.
***
cá estou eu enrolando trabalho once again. oi mundo!
menos drogas, mais uma tentativa de parar de fumar, coisas rolando... quando parece que vai ficar meio bom as vidas dos amigos próximos desmoronam na tua cabeça e tu tenta ser gentil simplesmente por incapacidade de ser o analista de bagé que as pessoas precisam e acaba absorvendo merda atrás de merda e depois se sentindo irritada.
e as pessoas não melhoram. acho que vou ter que começar a dar umas no meio daqui a pouco.
terça-feira, 22 de julho de 2014
stay gold
eu queria que esse azul de agora no céu não passasse nunca, do mesmo jeito que eu queria que não tivesse passado a hora que nos escorreu entre os dedos de manhã, nem a madrugada que parecia que não terminava e terminou, nem quando nossos joelhos ficaram encostados embaixo da mesa do prato feito de 7 pila enquanto os troncos fingiam que a gente nem se pega, nem aquele momento furtivo quando a gente ficou pra trás de todo mundo depois do almoço e deu as mãos e apertou bem e disfarçou o sorriso perguntando se tinha feijão no dente, nem essa sensação de ser aberta por dentro quando respiro o ar que paira na volta dele e me persegue que nem fumaça enfeitiçada de desenho animado - chega a ter um dedinho que faz "vem vem".
nessa época ano passado eu tava loca igual (talvez mais, porque agora tem essa paz linda que ele me transmite, o ruivo era pura agonia). e esse é exatamente o ponto, em algum momento da história o cheiro dele tende a parar de me abrir, como os outros já pararam antes. e eu realmente queria que não dessa vez. é a primeira vez que eu não tenho defeito pra botar. pelo contrário, a convivência fica cada dia melhor. eu fico cada dia melhor, porque ele é uma ótima influencia pro meu serzinho caótico. esse momento de ascensão eu queria que nunca nunca passasse.
domingo, 20 de julho de 2014
incoerências do fim de semana
(são duas horas da manhã. apelei pra cá, querido diário. a vontade era colar aqui a mensagem para conseguir ilustrar com exatidão o grau da psicodelia psicológica. eu não consigo começar a tentar descrever a conversa que eu fico com raiva.)
- não querer zuar no domingo de noite e ter zuado;
- não querer ficar de love com o ~sócio no finde e ter ficado e estar se apaixonando;
- não querer se importar com a mensagem do ruivo e ter respondido e causado mais uma tréplica completamente desnecessária, que acabou por ser respondida, ou rebatida, no outro blog;
- não querer dormir tarde e estar escrevendo, agora.
sobre a zueira, eu podia ter ido comer e pra casa, se tivesse respondido SIM quando perguntaram 'tá com muita fome?', mas decidi dar aval verbal pros minos irem no carandiru e depoooois comer na casa do que tinha ceva, dai unia os uteis aos agradáveis. pensei, por que não? e a verdade é que tinha um motivo pra não, que era que precisava dormir cedo, que rolou até remédio pra dor pra conseguir ensaiar hoje, que essas enxaquecas do demonho ainda me matam, que amanhã vai rolar trabalho gostosinho de fazer e eu queria estar com a corda toda pra fazer direito e receber mais desses bons -- e no entanto cá estou.
sobre ficar de love, bom, é inevitável. cinco vezes eu apaguei o que vinha depois desse ponto, porque não consigo articular. decidi que é apenas indescritivelmente inevitável, irresistível, etc. me peguei pensando hoje em dar umas formas de gelo pra ele, pq na casa nova quem faz gelo são as xícaras de cafezinho. deixar na mesa, num pacote. menos, que bandeira. mas enfim, formas de gelo coloridas, embrulhadas em papel colorido.
é não ter mais no que pensar hein, e o vestibular? badumtss
é não ter mais no que pensar hein, e o vestibular? badumtss
eu fico com medo de passar sinais de amor e depois não conseguir manter o fluxo, mas fazer ele sorrir é realmente uma coisa que melhora o meu dia (aliás, tenho trabalhado muito bem, querer mostrar serviço por gosto seria a saída para todos os problemas do mundo -- no entanto hoje já devia ter ido dormir).
sobre o ruivo, queria não ter postado sobre. pessoa que pensa "odeio pessoas que mandam indiretas" sinto muito, eu sou o que eu consigo e não queria responder mas ficar quieta também não. ele aperta meus botões, rs. eu queria apenas que ele parasse de me escrever sobre o que foi e o que poderia ter sido. daí, quando não era nenhuma dessas coisas, ele escreveu "não te cansa muito". eu não consegui não responder que não tinha entendido, e isso gerou uma mensagem gigante contendo um imenso e gritante deixa disso, sendo que quem inventou uma frase solta sem contexto pra me mandar foi ele. um paradoxo de perninhas com conta no tumblr. eu não quero ser sugada de novo, por isso não respondi mais. mas o desenho precisava.
sobre ter escrito isso aqui, bom, não foi ruim. mas meu pescoço já dói de novo. pensei em fumar o ultimo cigarro e bocejei. quando eu bocejei fechei o olho e senti o que a minha mãe chama de areia no olho. ja sentiu isso? é de sono, dizem. vou dispensar o cigarro. ja to até demorando pra digitar.
ps: personare disse que é pra se cuidar com incoerências até a metade do mês que vem. por menos que pudesse ser válido esse negócio quanto aos planetas e tal, o fato de ele me dar a ideia pra essa lista já é ajuda divina.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
uma saudade não sei do quê
tem dias que parece que por mais que tudo na vida esteja razoável, ou mesmo bom, alguma coisa coça na garganta.
hoje eu tava sentindo que o dia estava assim desde de manhã e não sabia por quê.
nesses dias a gente olha fotos velhas, ouve músicas velhas e passa muito tempo olhando pra parede branca e passando filminhos na cabeça como se tivesse sido ontem.
às vezes faz anos que algo passou e a gente ainda sente os cheiros.
eu fiquei olhando fotos e vídeos dos últimos exes. imaginei como poderia ter sido, o que estaria fazendo, onde estariam a minha vida e a deles, e me deu vontade de dar uma voltadinha no tempo por um segundo. como não pode, respirei e voltei para a minha vida. a parte boa é que não demorou para constatar que tudo o que aconteceu até agora está encaminhado desde um lugar bom e rumo a um melhor ainda. eu tenho sorte.
***
exatamente hoje faz 12 anos que a mãe dele morreu. e eu ainda acho que sei o que eu falo quando falo de saudade. eu tive muita sorte até agora.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
screen of death
gostaria apenas de deixar registrado o que aconteceu ontem à noite. no meio de uma conversa pós-transa das mais agradáveis, meu ruivo querido mencionou que teve os cabelos compridos sei lá quando. pedi fotos, nunca imaginando que ele fosse sequer levantar da cama. não só levantou para procurar as fotos no hd externo como, ao não encontrá-las, ficou no stumble. tudo bem né, é divertido. só que depois a gente lia as coisas em velocidades diferentes e tinha interesses diferentes. aí, como ele que tava pilotando, eu fechei os olhos e fiquei só curtindo os comentários ocasionais que ele fazia. aí quando eu finalmente li um quadrinho que era legal, ele fechou antes de eu terminar porque entendeu "sim" quando eu disse "não" à pergunta sobre se eu estava dormindo. acabamos desistindo do computador. depois de um pequeno silencio e olhos abertos olhando para o teto (que não emana luz), voltamos a conversar e a noite voltou ao normal.
impressionante o poder de morte da interação causado pela tela. ainda bem que por enquanto ainda funciona desligar pra retomar o vínculo.
impressionante o poder de morte da interação causado pela tela. ainda bem que por enquanto ainda funciona desligar pra retomar o vínculo.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sutilezas
hoje eu senti o cheiro dele de perto mais vezes. almoçamos todos juntos, e ele sentou perto de mim (não eu perto dele).
fizemos a mesma piada muitas vezes. nos olhamos nos olhos muitas vezes. eu ficava nervosa e desviava rápido. não faço ideia se ele nota, mas sempre que ele fala comigo eu sinto calor nas bochechas.
mais tarde, fiz um comentário de trabalho pelo bate papo eletrônico e ele escreveu meu nome em vocativo quando agradeceu. senti um frio na espinha imaginário (fruto de uma leitura uma vez cujo argumento era o de que o nosso nome dito pela pessoa que amamos nos chama de um jeito diferente e mais doce, o que por sua vez me lembra que eu nunca gostei de apelidos de casal - sempre tive, nunca dei) e lembrei que ele estava escrevendo, e que isso não queria dizer nada. como se adivinhasse o meu frio na espinha, ele se desculpou por escrever meu nome, com o argumento de que ainda estava com a cabeça no bate-papo em grupo que até ali vínhamos tendo com os outros colegas, onde o vocativo seria necessário. eu disse apenas "ok", ou talvez algo mais evasivo ainda.
é tão sutil o fato e tão grande o efeito disso em mim quanto realmente, honestamente e circunstancialmente platônico é esse gostar.
mesmo assim é bom ter um cantinho quentinho no coração de simplesmente querer alguém bem porque a linda alma da pessoa parece que escapa pelos olhos quando ele sorri.
pelo bem de todos, só preciso cuidar para não prestar muita atenção no cheiro quando ele me ajuda com problemas de software. o cheiro me hipnotiza e se eu sentisse mais vezes ia acabar precisando fazer alguma coisa.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
terapia
é oficial, preciso me tratar.
já disse isso antes.
cada dia mais difícil conviver comigo. é culpa demais, eu não respiro sem que me doa.
ando pela internet, vejo algo que me irrita sem motivo real e discuto com ele no bate papo (doença!), escrevo aqui, qualquer coisa menos trabalhar porque não me concentro e também porque é quase bom se afundar na agonia.
a razão pra esse gostar da lama me escapa. pra isso que eu preciso me tratar, pra parar de achar que ficar remoendo as dores de viver é uma opção de passar o tempo. mas principalmente pra parar de achar que remoer em dupla leva a qualquer lugar.
a conversa que eu não queria ter ontem eu acabei tendo e destruí meu humor pro resto da noite. podia ter guardado pra terapia e me poupado da merda que é cavocar em dupla sem nenhum knowhow.
a de hoje escapou e eu ainda estou tentando estancar. a vontade é de dar um grito e quebrar alguma coisa.
"pensamentos de ferir a si mesmo ou aos outros" é sintoma. resta saber, no meu caso, de quê.
***
daí eu olho pra janela com a fotinho dele e lembro de como começou eletrizante e do que aconteceu e de que faz só quatro meses e parece que é uma vida inteira de se ajudar por aí e rir de bobagem e sentir agonia e se acalmar mutuamente e já dá uma saudade dilacerante porque eu começo a ver que eu acho que sei o que vai acontecer ou começo a achar que sei o que seria o mais certo a fazer.
dizem que eu preciso de alguém mais leve, mas a verdade é que eu não sei se essa pessoa existe e começo a ter a impressão de que eu nunca vou conseguir passar mais de dois meses em paz com alguém porque em algum momento a equação saudade x liberdade x tempo simplesmente não vai fechar e eu vou sentir dor de novo porque vou ter que pensar de novo todas essas coisas e o mero pensamento de viver o ciclo de novo me faz ter preguiça de estar viva.
ficar totalmente sozinha eu nunca consegui. talvez ajudasse, mas se eu fico sozinha eu acabo pegando alguém, e eu sempre quero ver de novo porque intimidade é delicinha mas sempre sempre sempre vem com merda e mais merda junto e lá vamos nós de novo.
não sei se é saudade, ansiedade, raiva ou tristeza, mas queria falar com ele. não saberia o que dizer. ele não vai falar comigo pq eu já nos gastei. péssimo dia para produção musical, cantar por cima do nó aí sim eu quero ver.
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
elogios
sempre fiquei meio desconfortável quando me chamavam de bonita. as únicas pessoas que me disseram que eu era bonita e não me incomodaram foram meus avós e minha irmã. isso apenas porque eles conseguem sempre dizer isso quando eu menos concordo, e a sensação da contradição nesse caso é quentinha e confortável.
as outras pessoas dizem isso também. eu geralmente concordo, não sou cega. mas a maneira que elas dizem e as situações que desencadeiam esses elogios geralmente fazem alusão a uma de duas coisas: eu ter me arrumado OU um privilégio genético casual, que vai deixar de existir em alguns anos.
no primeiro caso, me incomoda porque tem gente que só diz que a gente ~está~ bonita se estiver "arrumada". não fazem por mal, na maioria das vezes nem sabem se você se montou, embora intuam, e possivelmente não sabem o trabalho que deu. se não é por maquiagem é por estar usando uma roupa mais femininazinha, tipo um vestido, ou por ter ajeitado o cabelo. sempre que aconteceu algo feito por mãos humanas com a minha aparência aparecem elogios. é bom saber que funciona quando quero me deixar mais bonita, mas fico pensando se essa sequência de ação-reação não reforça nossa cultura pautada pela aparência física (para mulheres, né, homens não sofrem nem metade da pressão).
no segundo caso, os elogios normalmente vêm de pessoas que têm alguma intimidade comigo, geralmente em um relacionamento amoroso. podem ocorrer a qualquer momento, mas quase sempre quando estou à vontade. do nada vem um "linda" ou um "gostosa" (sendo que eu não malho, até isso é acaso), carregadíssimo de amor pulsante. e aí eu sinto medo. eu temo pelo futuro porque eu sei que é a minha personalidade e o meu jeito de fazer carinho que mantém essas pessoas romanticamente interessadas em mim, mas o que aproxima elas é a minha cara e o meu corpo. e eles um dia (dia esse cada vez mais próximo) vão murchar e cair. e quando eu for velha e acontecer de novo a sequência de começo meio e fim do amor, quando chegar no começo de novo eu não tenho certeza se as coisas que eu digo e faço vão parecer tão bonitinhas assim vindas de uma velha pelancuda.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
superaquecimento
eu queria desmaiar.
se eu desmaiasse eu tinha uma desculpa bem plausível e podia ir pra casa e resolver pelo menos uma parte das coisas. a parte que congelou o resto. tudo fluiria se eu pelo menos desmaiasse.
fico mudando de aba como uma barata tonta, com um zumbido na cabeça que me obrigou a desistir da música.
eu quase queria que me desse um troço mesmo.
assistir minha própria loucura ta ridículo.
peço desculpas aos envolvidos, vou tentar me controlar e parar de ficar falando sobre como eu não consigo trabalhar por causa desse nó na garganta que puxa o cérebro pro cu e me faz pensar merda por falta de opção.
se eu desmaiasse eu tinha uma desculpa bem plausível e podia ir pra casa e resolver pelo menos uma parte das coisas. a parte que congelou o resto. tudo fluiria se eu pelo menos desmaiasse.
fico mudando de aba como uma barata tonta, com um zumbido na cabeça que me obrigou a desistir da música.
eu quase queria que me desse um troço mesmo.
assistir minha própria loucura ta ridículo.
peço desculpas aos envolvidos, vou tentar me controlar e parar de ficar falando sobre como eu não consigo trabalhar por causa desse nó na garganta que puxa o cérebro pro cu e me faz pensar merda por falta de opção.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
mais um
só mais um texto
pra descarregar tudo
o que fica circulando pela cabeça em ritmo de centrifugação
bbbbbbffffffffff
é o barulho que eu ouço de dentro das orelhas quando a força centrípeta joga ele pra fora pelos dedos
assim mesmo, agora
ufa.
sobra a taquicardia leve. falar dela esquenta os ouvidos, agora mais calmos.
só agora releio e tenho um microespasmo de riso.
e então a garganta seca de vergonha:
nunca vou saber como é ler isso tudo de uma vez só, sem nunca ter lido antes e sem saber do que se trata.
pronto.
acho que agora consigo voltar pra antiética das edições de texto, que inclusive inseriu o "de vergonha" na frase ali de umas linhas pra cima.
só pra se despedir. só mais esse assim menos feio.
fail.
vou lá é editar TCC burro dos outros, que eu faço mais arte que aqui.
urgente!
queria te abraçar e te dar carinho e te dizer que tudo vai ficar bem. mas eu mesma não tenho certeza porque os últimos meses me mostraram um lado tão sombrio da tristeza que eu tenho medo do efeito do que o que eu te mostrei do que eu sabia racionalmente da vida pode ter feito com o teu espírito que é tão mais sensível que o meu.
choro escrevendo isso porque eu sinto que tu precisa se achar sozinha e se resolver sozinha e que a avalanche de conselhos te sufoca também. e também porque o meu jeito de dizer as coisas é às vezes meio cru e nervoso e até brabo demais e tu não merece mais dureza porque já basta o que veio antes.
choro também porque tem mais gente precisando de mim. hoje mais do que nunca a grama de onde eu não vou estar é a que eu acho que mais precisa de água.
queria ser bem grande e bem forte e bem equilibrada e bem mais carinhosa e conseguir te acalmar do jeito que tu merece, porque além de tudo eu acho que eu botei um pouco dessa tristeza aí te contando coisas que eu devia ter guardado pra mim e te mostrando confissões que podiam ser mal interpretadas e te dando acesso a mais sofrimento ainda ~pelo bem da arte~.
queria ser um rivotrilzão de pelúcia e pular em ti e mandar tudo embora.
queria voltar no tempo e ter me tocado antes que eu podia assumir tudo e ter cuidado melhor de vocês e a gente ter fugido juntos, em vez de só abrir a porta pra tu sair sozinha.
até te deixo ficar na tristeza, se tu acha que ajuda. não tem nada demais. mesmo porque eu mesma não sei o que fazer pra te tirar daí.
mas mantém em mente que tu tem que sair, por favor. por mim, lembra de botar uma mantinha no sofá de couro, porque quando gruda dói mais pra sair.
choro escrevendo isso porque eu sinto que tu precisa se achar sozinha e se resolver sozinha e que a avalanche de conselhos te sufoca também. e também porque o meu jeito de dizer as coisas é às vezes meio cru e nervoso e até brabo demais e tu não merece mais dureza porque já basta o que veio antes.
choro também porque tem mais gente precisando de mim. hoje mais do que nunca a grama de onde eu não vou estar é a que eu acho que mais precisa de água.
queria ser bem grande e bem forte e bem equilibrada e bem mais carinhosa e conseguir te acalmar do jeito que tu merece, porque além de tudo eu acho que eu botei um pouco dessa tristeza aí te contando coisas que eu devia ter guardado pra mim e te mostrando confissões que podiam ser mal interpretadas e te dando acesso a mais sofrimento ainda ~pelo bem da arte~.
queria ser um rivotrilzão de pelúcia e pular em ti e mandar tudo embora.
queria voltar no tempo e ter me tocado antes que eu podia assumir tudo e ter cuidado melhor de vocês e a gente ter fugido juntos, em vez de só abrir a porta pra tu sair sozinha.
até te deixo ficar na tristeza, se tu acha que ajuda. não tem nada demais. mesmo porque eu mesma não sei o que fazer pra te tirar daí.
mas mantém em mente que tu tem que sair, por favor. por mim, lembra de botar uma mantinha no sofá de couro, porque quando gruda dói mais pra sair.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
inveja
tava querendo escrever coisas um pouco mais sensatas, tipo a história da Claudia e da Mina Guilhermina e do Fernando. daí aparece um blog que eu mesma encomendei justamente para não ser interrompida e eu não quero mais nem a cara deste meu. precisei vir fazer um carinho nesta minha caveira rosa.
eu não lido bem com essas pseudoprosas beirantes à poesia. eu gosto das palavras que eu conheço, dos ritmos que eu conheço, de jeitos de contar coisas que sejam o mais detalhados e verossímeis possível.
no entanto, ela faz tudo isso, com menos palavras e de um jeito mais engraçado. eu não consigo entender.
vou voltar pra essa galera. a história vai sair. e vai me ensinar muito sobre o que eu acho que sei sobre culpa e ciumes, sobre ser invejosa e ser boa e sobre PROCESSO.
eu não lido bem com essas pseudoprosas beirantes à poesia. eu gosto das palavras que eu conheço, dos ritmos que eu conheço, de jeitos de contar coisas que sejam o mais detalhados e verossímeis possível.
no entanto, ela faz tudo isso, com menos palavras e de um jeito mais engraçado. eu não consigo entender.
vou voltar pra essa galera. a história vai sair. e vai me ensinar muito sobre o que eu acho que sei sobre culpa e ciumes, sobre ser invejosa e ser boa e sobre PROCESSO.
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